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  Vencer e Viver na Melhor Idade  
  21/10/2008
por Sônia Beatriz Kury Lopes - Professora de Artes do Dom Bosco, especialista em Arteterapia
 
 


                  A Arteterapia surge como uma proposta de melhorar a vida dos idosos, permitindo a cada indivíduo encontrar possibilidades de expressão para, por meio de técnicas e materiais artísticos, processar, elaborar e redimensionar suas dificuldades na vida. Ela tem sua origem na Antroposofia de Rudolf Steiner, segundo o qual o homem é considerado um ser espiritual, constituído de alma e corpo vivo.  A terapia artística possibilita que a pessoa vivencie os arquétipos da criação, ou seja, se reconecte com o seu inconsciente, trazendo um contato com a essência criadora de cada um.

 Conforme Ecléa Bosi:
]
“Por que temos que lutar pelos velhos? Porque são a fonte de onde jorra a essência da cultura, portanto onde o passado se conserva e o presente se prepara, pois como escrevera Benjamin, só perde o sentido aquilo que no presente não é percebido como visado pelo passado.” (BOSI,1995, p 18).
  
Ana Cláudia Afonso Valladares diz: “[...] um processo arteterapêutico bem sucedido depende da harmonia de um complexo conjunto de variáveis e arquétipos [...]” (VALLADARES, 2004, p 90). Então os recursos expressivos em arteterapia podem permitir que fatos do inconsciente sejam simbolizados em imagens e que possam conduzir informações deste universo até o consciente. As imagens do inconsciente são apenas linguagens simbólicas, mas ninguém impede que estas imagens e sinais sejam harmoniosas, dramáticas, belas, vivas, sedutoras, consequentemente constituindo verdadeira obra.

Diz Arcuri:

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rabalhando com recursos vivenciais e expressivos (desenho e pintura, modelagem, colagem, dança e expressão corporal, relaxamento e visualização, dramatização, narração de histórias, entre outros), a Arteterapia aplicada aos diferentes contextos (escola, comunidade, psicoterapia, organizações e instituições, etc.) promove a melhoria da qualidade de vida ao relacionar significativamente o mundo interno e o externo. (ARCURI, 2006, p. 79). 

                   A Arteterapia implica escutar as questões singulares, perturbadoras, sofredoras, comoventes dos pacientes, e junto a eles dar forma à dor sentida. Nosso papel de arteterapeuta é ajudar o cliente a sair da zona de conflito, do sofrimento, dando auxílio, amparo e proteção. Existem atitudes que caracterizam um arteterapeuta, na medida em que é preciso aprender e saber ajudar a si mesmo para ser capaz de ajudar alguém. Na relação terapêutica, a palavra “ajuda” tem o sentido de facilitar, promover, propiciar a experiência e o crescimento do outro. O terapeuta precisa respeitar a singularidade de cada pessoa, por isto é preciso ter disposição para procurar portas de acesso ao mundo do outro, encorajando o paciente a procurar pelo significado da figura ou às vezes oferecendo possíveis significados ao mesmo.

                        A Terceira Idade é uma outra população que pode se beneficiar através da Arteterapia, pois carregam uma enorme bagagem cultural, familiar, institucional.
Esta nova visão faz parte do contexto atual, onde a qualidade de vida dos idosos está plenamente aberta à criação de espaços com fomento de trocas, buscas, energias positivas, construção de significados, prazeres, entre outros.

Bibliografia

ARCURI, Irene Gaeta.
Arteterapia um novo campo do conhecimento. São Paulo, Vetor: 2006.
ARCURI, Irene Gaeta. Memória Corporal. O símbolo do corpo na trajetória da vida. São Paulo. Vetor: 2004, 288 p.
BOSI, Ecléia. Memória e Sociedade. Companhia das Letras: São Paulo. 1995, 484 p.
CASSIRER, Ernst. Antropologia Filosófica, um ensaio sobre o Homem. Introdução a uma filosofia da cultura humana. São Paulo: ed. Mestre Jou, 1977.       DIAS, José Francisco Silva. Os novos tempos da velhice: reflexões críticas e propostas. Santa Maria: RS. Editora do Autor, 2004, 103 p.
VALLADARE, Ana Cláudia Afonso. ARTETERAPIA no novo paradigma de atenção em saúde mental. 5º Vetor: São Paulo. 2004, 209 p.


                     Os estudos sobre desenvolvimento da pessoa madura e o funcionamento familiar normal indicam que respostas adaptativas podem estar associadas aos padrões estruturais familiares, nos papéis sexuais, nos estilos individuais de personalidade, e no contexto sociocultural. O bom funcionamento familiar, para os idosos, requer flexibilidade na estrutura de papéis e respostas a novas necessidades e desafios desenvolvimentais. Uma vez que as pessoas estão vivendo mais tempo do que no passado, nós carecemos dos modelos de papel para relações familiares num estágio tardio de vida.

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