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  Sistemas de Cotas, uma solução?  
  16/04/2009
por Márcia Sigal
 
 

 

Profa. Márcia Sigal

Especialista em Língua Inglesa

O Brasil implantou uma nova política afirmativa: o sistema de cotas. Através desta política, uma porcentagem de vagas em universidades públicas (federais ou estaduais) ficam reservadas para aquelas pessoas que estudaram em colégios públicos – cotas sociais - ou que são consideradas afrodescendentes – cotas raciais. A medida provocou polêmicas no País inteiro, sendo o argumento dos críticos a discriminação.

 

O sistema de cotas prevê que as pessoas que estudaram em colégios públicos possuem uma qualidade de ensino inferior daquelas que estudaram em colégios privados, pagos. Isto, de fato, ocorre, pois o ensino público no Brasil é, conforme se vê em avaliações realizadas pelos próprios governos, resultados pífios, além da costante falta de recursos humanos e materiais.

 
As cotas funcionariam, então, como medida para equiparar os alunos dos dois tipos de ensino. Caso elas fossem provisórias, a sua existência seria justificada. No entanto, o governo brasileiro deixa a entender que as cotas sempre existirão, com tendência apenas a aumentar sua porcentagem (na UFRGS, por exemplo, a previsão é de que 60% das vagas sejam destinadas aos vestibulandos que optarem pelas cotas).

 
Assim, pode-se analisar que essa política afirmativa apenas mascara a má qualidade do ensino público fundamental brasileiro. O governo deveria era investir na educação fundamental, tal como os países desenvolvidos o fazem, a fim de melhorá-lo e proporcionar a igualdade de condições para a disputa de um vestibular concorrido tanto para alunos de instituições públicas quanto privadas, e não investir no Ensino Superior, pois não trará melhorias à população em geral.

 

Em relação às cotas raciais, a polêmica torna-se ainda maior. Charles Darwin, em seu livro “A Evolução das Espécies”, analisa que existem raças mais aptas do que as outras; são estas que sobreviverão no tempo. Darwin, em suma, alega que existem raças superiores em relação às outras. Com as cotas raciais, pode-se entender que este conceito está sendo aplicado à realidade atual, ocorrendo uma espécie de darwinismo social em relação à cor da pele, pois basta ter a pele mais escura para poder concorrer a esse tipo de cota. Dessa forma, é possível a análise de que quem possui a pela mais escura seja inferior aos demais. No entanto, todas as pessoas, independentemente da cor de sua pele, possuem condições iguais de inteligência e capacidade a fim de prestar um concurso de vestibular. Isto culmina em proporcionar um racismo dentro da própria faculdade, e não consertá-lo.

           

O sistema de cotas, desde sua aplicação, não consegue fugir da polêmica. Há pessoas que alegam que ele proporciona iguais condições para toda população, ajudando os menos favorecidos; outras alegam que ele é discriminatório e injusto. Enquanto perdurar a política afirmativa, as divergências não cessarão. As cotas deveriam existir, mas apenas por um curto período de tempo, enquanto se realiza uma reforma no Ensino Fundamental. É esta reforma que trará a todos os alunos, seja de famílias mais favorecidas quanto menos, maiores benefícios, e não apenas uma oportunidade de ingressar em um curso universitário, o que, mesmo com as cotas, não é passível de realização para muitos.

 

Bibliografia: pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_cotas

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