Profa. Márcia Sigal
Especialista em Língua Inglesa
O Brasil implantou uma nova política
afirmativa: o sistema de cotas. Através desta política, uma porcentagem de
vagas em universidades públicas (federais ou estaduais) ficam reservadas para
aquelas pessoas que estudaram em colégios públicos – cotas sociais - ou que são
consideradas afrodescendentes – cotas raciais. A medida provocou polêmicas no País
inteiro, sendo o argumento dos críticos a discriminação.
O sistema de cotas prevê que as
pessoas que estudaram em colégios públicos possuem uma qualidade de ensino
inferior daquelas que estudaram em colégios privados, pagos. Isto, de fato,
ocorre, pois o ensino público no Brasil é, conforme se vê em avaliações
realizadas pelos próprios governos, resultados pífios, além da costante falta
de recursos humanos e materiais.
As
cotas funcionariam, então, como medida para equiparar os alunos dos dois tipos
de ensino. Caso elas fossem provisórias, a sua existência seria justificada. No
entanto, o governo brasileiro deixa a entender que as cotas sempre existirão,
com tendência apenas a aumentar sua porcentagem (na UFRGS, por exemplo, a
previsão é de que 60% das vagas sejam destinadas aos vestibulandos que optarem
pelas cotas).
Assim,
pode-se analisar que essa política afirmativa apenas mascara a má qualidade do
ensino público fundamental brasileiro. O governo deveria era investir na
educação fundamental, tal como os países desenvolvidos o fazem, a fim de
melhorá-lo e proporcionar a igualdade de condições para a disputa de um
vestibular concorrido tanto para alunos de instituições públicas quanto
privadas, e não investir no Ensino Superior, pois não trará melhorias à
população em geral.
Em relação às cotas raciais, a
polêmica torna-se ainda maior. Charles Darwin, em seu livro “A Evolução das
Espécies”, analisa que existem raças mais aptas do que as outras; são estas que
sobreviverão no tempo. Darwin, em suma, alega que existem raças superiores em
relação às outras. Com as cotas raciais, pode-se entender que este conceito está
sendo aplicado à realidade atual, ocorrendo uma espécie de darwinismo social em
relação à cor da pele, pois basta ter a pele mais escura para poder concorrer a
esse tipo de cota. Dessa forma, é possível a análise de que quem possui a pela
mais escura seja inferior aos demais. No entanto, todas as pessoas,
independentemente da cor de sua pele, possuem condições iguais de inteligência
e capacidade a fim de prestar um concurso de vestibular. Isto culmina em proporcionar
um racismo dentro da própria faculdade, e não consertá-lo.
O sistema de cotas, desde sua
aplicação, não consegue fugir da polêmica. Há pessoas que alegam que ele
proporciona iguais condições para toda população, ajudando os menos
favorecidos; outras alegam que ele é discriminatório e injusto. Enquanto
perdurar a política afirmativa, as divergências não cessarão. As cotas deveriam
existir, mas apenas por um curto período de tempo, enquanto se realiza uma
reforma no Ensino Fundamental. É esta reforma que trará a todos os alunos, seja
de famílias mais favorecidas quanto menos, maiores benefícios, e não apenas uma
oportunidade de ingressar em um curso universitário, o que, mesmo com as cotas,
não é passível de realização para muitos.
Bibliografia: pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_cotas << Voltar |