
Diante da
globalização mundial, em que a distância se reduz a zero, as informações nos
bombardeiam, as exigências tornam-se inevitáveis, o progresso, as
transformações, os avanços em todos os sentidos são incalculáveis, esperávamos
que a humanidade fosse mais feliz. O que vemos e sentimos são pessoas correndo
sem sentido, buscando coisas que não realizam. Neste contexto, estamos nós, pais e
professores, com a maior missão do mundo: formar seres sociáveis, saudáveis,
capazes, autônomos, sábios, felizes...
Nesta engrenagem tão complexa, com tantos
desafios, nós mesmos, sabedores dos valores essenciais, nos deixamos contagiar:
há uma preocupação exagerada com as
coisas materiais, com as aparências, com o imediatismo. Estas características
estão intrínsecas, incrustadas na maneira de ser da nossa sociedade, atingindo
todas as idades: crianças, jovens e adultos. Esquecemos que o essencial é o
afeto, a ternura, as coisas simples. Para ser feliz, não precisamos do melhor
carro, aparentar 15 anos a menos, dar aos nossos filhos o que não temos
condições, aparentar o que não somos.
Este desgaste não vale a pena. Não
precisamos correr angustiados atrás de modelos que nada têm a ver conosco,
colocar objetivos tão distantes que jamais poderemos atingi-los. Esquecemos que
a felicidade está dentro de nós e devemos construir a nossa existência partindo
do que fomos, nunca comparando-se com o outro, mas conosco mesmos.
Somos seres incomparáveis, somos únicos, com
dons diferentes, com capacidades, limitações. A criança é um mundo a ser
explorado e construído. Precisamos respeitar as individualidades. Tudo tem o seu
tempo. Devemos reforçar as qualidades e apoiar nas dificuldades. Estar ao lado
para encorajá-la. Acompanhar para que caminhe com suas próprias pernas. Permitir que
descubra o mundo da sua maneira, que construa o conhecimento através da sua experiência.
Ah! As frustrações são
inevitáveis e necessárias para que haja crescimento e amadurecimento.O
filho-aluno precisa saber o que é permitido fazer ou não, dentro dos padrões desejáveis
de um comportamento adequado ao convívio familiar e escolar. Não podemos ter
medo de exigir. A falta de cobrança tem como consequência a falta de
responsabilidade na vida adulta. Dizer ¨não¨ também é uma forma de amor. ¨Se eles não
ouvirem 'não' dos pais, estarão despreparados para ouvir 'não' da vida (Augusto
Cury).
O mundo em que vivemos é implacável, não perdoa
as nossas omissões e, consequentemente, nossos filhos poderão pagar um preço
muito alto. Tudo pode ser exigido com firmeza, com conversas francas, com
justiça e afeto, sendo desnecessário o autoritarismo, agressões, gritarias...
Precisamos ficar atentos. “Os comportamentos
inadequados, muitas vezes, são clamores que imploram a presença, o carinho e a
atenção dos pais” (Augusto Cury). A transgressão quase sempre é um apelo e
devemos estar abertos pra ouvir e usar a arma mais eficiente que é o diálogo.
É preciso repensar a educação como
projeto humano que possibilite ao filho-aluno refletir e perceber que ele é o protagonista
da sua própria história. Para que isto aconteça, necessita de parâmetros. Nós influenciamos
mais na personalidade de nossos filhos pelo que somos, com nossas atitudes, com
as nossas palavras, gestos e até com o silêncio, enfim com nossa maneira de ser
e de agir.
Podemos citar alguns valores
imprescindíveis na formação de um ser ético, equilibrado, autêntico, que seja
bom consigo mesmo e com os outros. Por tanto devemos ser referência
indispensável de:
Presença: significa proteção, apoio,
segurança, inibição nas atitudes inadequadas.
Verdade-sinceridade: a mentira gera insegurança, irresponsabilidade...
Respeito: colocar-se no lugar do outro. O que
não é bom e cômodo para um não pode prejudicar os outros. O desrespeito gera
revolta e indignação. Podemos discordar das atitudes e posturas, mas sempre respeitando a pessoa.
Justiça: gera comprometimento, harmonia na convivência. A injustiça revolta,
desequilibra as relações.
Humildade: saber reconhecer as limitações e aceitar as conquistas como um dom de Deus. A
soberba e a arrogância causam mal-estar, insatisfação.
Gratidão: saber agradecer o que se recebe gera satisfação, prazer...
Coerência: as combinações devem ser claras, compreendidas e
cumpridas gerando assim a harmonia e segurança.
Solidariedade: saber compartilhar as alegrias, tristezas, vitórias,
derrotas, responsabilidades, necessidades... É o sentimento de querer ajudar.
Estar à disposição para o bem. Tudo que se dá tem retorno.
Ternura: nada funcionará se o amor não estiver presente na nossa maneira de ser, sentir e agir. Tudo pode ser
dito com delicadeza e amabilidade.
Espiritualidade: dá sentido a nossa existência. É crer num ser superior capaz de nos proteger. É
a força divina que tudo pode, gerando a fé e a esperança. A oração é o
instrumento que nos liga a Deus.
Já nos demos conta da importância de rezar com os filhos? Todos os
sentimentos e magias com que somos envolvidos? São marcas que eles levarão para
o resto de suas vidas.
Para uma convivência harmoniosa na família e na escola, lembramos as
palavras mágicas, que por ora estão em desuso: Por favor! Com licença! Desculpas! Obrigado!
Os nossos filhos serão o reflexo e o resultado dos nossos atos. Se tivermos
competência eles souberem absorver, com certeza sobreviverão neste mundo
competitivo, com tantas controvérsias, com equilíbrio e sabedoria.
Precisamos
formar cidadãos que façam a diferença, que resgatem o sentido verdadeiro da
vida. Só assim, seremos pais-professores os verdadeiros formadores de seres
sociáveis, capazes, autônomos e felizes e conseqüentemente esses serão
promotores da sua felicidade e dos outros.
Bibliografia:
Cury, Augusto: Pais Brilhantes, Professores Fascinantes
Tiba, Içami: Quem Ama Educa
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