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  Legado aos Nossos Filhos  
  02/06/2009
por Profa. Neiva Dallastra Messaggi
 
 


Diante da globalização mundial, em que a distância se reduz a zero, as informações nos bombardeiam, as exigências tornam-se inevitáveis, o progresso, as transformações, os avanços em todos os sentidos são incalculáveis, esperávamos que a humanidade fosse mais feliz. O que vemos e sentimos são pessoas correndo sem sentido, buscando coisas que não realizam. Neste contexto, estamos nós, pais e professores, com a maior missão do mundo: formar seres sociáveis, saudáveis, capazes, autônomos, sábios, felizes...

Nesta engrenagem tão complexa, com tantos desafios, nós mesmos, sabedores dos valores essenciais, nos deixamos contagiar: há uma preocupação exagerada com as coisas materiais, com as aparências, com o imediatismo. Estas características estão intrínsecas, incrustadas na maneira de ser da nossa sociedade, atingindo todas as idades: crianças, jovens e adultos. Esquecemos que o essencial é o afeto, a ternura, as coisas simples. Para ser feliz, não precisamos do melhor carro, aparentar 15 anos a menos, dar aos nossos filhos o que não temos condições, aparentar o que não somos.

Este desgaste não vale a pena. Não precisamos correr angustiados atrás de modelos que nada têm a ver conosco, colocar objetivos tão distantes que jamais poderemos atingi-los. Esquecemos que a felicidade está dentro de nós e devemos construir a nossa existência partindo do que fomos, nunca comparando-se com o outro, mas conosco mesmos.

Somos seres incomparáveis, somos únicos, com dons diferentes, com capacidades, limitações. A criança é um mundo a ser explorado e construído. Precisamos respeitar as individualidades. Tudo tem o seu tempo. Devemos reforçar as qualidades e apoiar nas dificuldades. Estar ao lado para encorajá-la. Acompanhar para que caminhe com suas próprias pernas. Permitir que descubra o mundo da sua maneira, que construa o conhecimento através da sua experiência.

Ah! As frustrações são inevitáveis e necessárias para que haja crescimento e amadurecimento.O filho-aluno precisa saber o que é permitido fazer ou não, dentro dos padrões desejáveis de um comportamento adequado ao convívio familiar e escolar. Não podemos ter medo de exigir. A falta de cobrança tem como consequência a falta de responsabilidade na vida adulta. Dizer ¨não¨ também é uma forma de amor. ¨Se eles não ouvirem 'não' dos pais, estarão despreparados para ouvir 'não' da vida (Augusto Cury).

O mundo em que vivemos é implacável, não perdoa as nossas omissões e, consequentemente, nossos filhos poderão pagar um preço muito alto. Tudo pode ser exigido com firmeza, com conversas francas, com justiça e afeto, sendo desnecessário o autoritarismo, agressões, gritarias...

Precisamos ficar atentos. “Os comportamentos inadequados, muitas vezes, são clamores que imploram a presença, o carinho e a atenção dos pais” (Augusto Cury). A transgressão quase sempre é um apelo e devemos estar abertos pra ouvir e usar a arma mais eficiente que é o diálogo.

É preciso repensar a educação como projeto humano que possibilite ao filho-aluno refletir e perceber que ele é o protagonista da sua própria história. Para que isto aconteça, necessita de parâmetros. Nós influenciamos mais na personalidade de nossos filhos pelo que somos, com nossas atitudes, com as nossas palavras, gestos e até com o silêncio, enfim com nossa maneira de ser e de agir.

Podemos citar alguns valores imprescindíveis na formação de um ser ético, equilibrado, autêntico, que seja bom consigo mesmo e com os outros. Por tanto devemos ser referência indispensável de:

Presença: significa proteção, apoio, segurança, inibição nas atitudes inadequadas.

Verdade-sinceridade: a mentira gera insegurança, irresponsabilidade...

Respeito: colocar-se no lugar do outro. O que não é bom e cômodo para um não pode prejudicar os outros. O desrespeito gera revolta e indignação. Podemos discordar das atitudes e posturas, mas sempre respeitando a pessoa.

Justiça: gera comprometimento, harmonia na convivência. A injustiça revolta, desequilibra as relações.

Humildade: saber reconhecer as limitações e aceitar as conquistas como um dom de Deus. A soberba e a arrogância causam mal-estar, insatisfação.

Gratidão: saber agradecer o que se recebe gera satisfação, prazer...

Coerência: as combinações devem ser claras, compreendidas e cumpridas gerando assim a harmonia e segurança.

Solidariedade: saber compartilhar as alegrias, tristezas, vitórias, derrotas, responsabilidades, necessidades... É o sentimento de querer ajudar. Estar à disposição para o bem. Tudo que se dá tem retorno.

Ternura: nada funcionará se o amor não estiver presente na nossa maneira de ser, sentir e agir. Tudo pode ser dito com delicadeza e amabilidade.

Espiritualidade: dá sentido a nossa existência. É crer num ser superior capaz de nos proteger. É a força divina que tudo pode, gerando a fé e a esperança. A oração é o instrumento que nos liga a Deus.

Já nos demos conta da importância de rezar com os filhos? Todos os sentimentos e magias com que somos envolvidos? São marcas que eles levarão para o resto de suas vidas.

Para uma convivência harmoniosa na família e na escola, lembramos as palavras mágicas, que por ora estão em desuso: Por favor! Com licença! Desculpas! Obrigado!

Os nossos filhos serão o reflexo e o resultado dos nossos atos. Se tivermos competência eles souberem absorver, com certeza sobreviverão neste mundo competitivo, com tantas controvérsias, com equilíbrio e sabedoria.

Precisamos formar cidadãos que façam a diferença, que resgatem o sentido verdadeiro da vida. Só assim, seremos pais-professores os verdadeiros formadores de seres sociáveis, capazes, autônomos e felizes e conseqüentemente esses serão promotores da sua felicidade e dos outros.

Bibliografia:

Cury, Augusto: Pais Brilhantes, Professores Fascinantes

Tiba, Içami: Quem Ama Educa

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