Estrangerismos:
enriquecimento cultural ou invasão linguística?
Cristiane
Rissetti Toffanello - Especialista
em Aprendizagem de Língua Estrangeira
As línguas mudam incessantemente pela sua
própria natureza e pelo contato iminente com as demais, donde decorrem os
empréstimos linguísticos. Os estrangerismos estiveram sempre presentes no
léxico da língua portuguesa no decorrer de toda sua história, contribuindo para
seu enriquecimento. Mas devido ao emprego excessivo destes (em geral pelos de
origem norte-americana: nação econômica e culturalmente ascendente e dominante
hoje), nações como o Brasil têm sido alvo de frequentes críticas, polêmicas e
debates; como os que levaram no ano de 1999 à criação de um Projeto de Lei
1676/99 de autoria do Deputado Federal Aldo Rabelo (Pc do B/ SP), visando
dentre outras coisas proteger a identidade cultural da língua portuguesa e,
onde se prevê sanções ao uso exacerbado de expressões estrangeiras.
É complicado tentar mudar ou preservar uma
língua por intermédio de um Decreto ou imposição de qualquer natureza, até
porque a língua tem por característica a capacidade de ser mutável, versátil e
dinâmica, estando ela, por conseguinte, em constante processo de construção. E
neste sentido os empréstimos linguísticos são válidos e até enriquecedores, já
que contribuem e acrescentam.
Em dias tão globalizados como os nossos é
praticamente impossível evitar a entrada de tais expressões no cotidiano dos
povos e nações. O mundo moderno e globalizado reduziu distâncias e facilitou o
contato entre os povos, permitindo uma maior e mais rápida interação, onde
valores, hábitos e expressões do cotidiano são constantemente compartilhados. Vale
frisar que os valores e expressões que mais circulam e, por conseguinte, se
impõem são justamente aqueles oriundos de nações que também se impõem cultural
e economicamente sobre outras. Fato que explicaria a universalização e/ou
imposição da língua norte-americana no mundo hoje.
Toda essa invasão cultural pode ser
recebida de braços abertos em prol da própria construção e evolução da língua.
Todavia aos excessos, convém cautela. Pois, a mesma globalização que une povos
e reduz distâncias pode, mesmo que sutilmente, homogeneizar culturas, levando a
padronização de hábitos, costumes e expressões lingüísticas. E assim gradual e
paulatinamente degenerar a identidade cultural de um povo: interferindo ou
sucumbindo por definitivo sua memória e/ou seu legado linguístico cultural.
Fonte: RAJAGOPALAN,
Kanavillil. A linguística que nos faz falhar: investigação crítica. Parábola,
2004. << Voltar |