
Os Educadores e Lideranças Estudantis do Colégio participaram durante todo dia 08 de julho, no Salão de Atos da PUCRS, do Encontro de Educadores e Lideranças Estudantis das Escolas Católicas da Arquidiocese de Porto Alegre.
A Arquidiocese de Porto Alegre anima 57 escolas de educação básica. Para celebrar o seu centenário, a Arquidiocese programou um encontro de Educadores e Lideranças Estudantis para debater temas ligados à educação nas instituições católicas.
A recepção do evento começou a partir das 8 horas. Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto Alegre deu uma benção na abertura oficial. Em seguida, o Ir. Armando Bortolini, da PUCRS, manifestou a alegria de acolher tantos educadores de escolas mantidas por muitas famílias religiosas diferentes, mas com a mesma missão. "Para nós Irmãos Maristas, é uma honra acolher vocês".
Painel "Educação Católica, Memória e Profecia"
O painel da manhã abordou temática da "Educação Católica: Memória e Profecia", com a participação dos Padres Bonifácio Schmidt e Inácio Neutzling e a Professora Maria Helena Bastos. Paralelo a esse, que acontecia para os professores, as lideranças estudantis ouviam a palestra sobre o tema "Identidade e Protagonismo Juvenil".
A professora de História da Educação, Maria Helena Bastos, abordou a caminhada da Igreja Católica no mundo da educação desde a Idade Média até nossos dias. "Até hoje a Igreja tem sido a principal instituição que oferece educação", afirmou a professora. Ela acrescenta que, "o século XIX é considerado o século educador, pois, marca todas as propostas educacionais e a formação de professores leigos". Professora Maria Helena ainda aponta que "as tendências da Igreja Católica para o século XXI, com este cenário globalizado, é que persistirá no seu engajamento coletivo".
Encerrou a sua fala dizendo que "atualmente, vivemos crises de paradigmas onde a sociedade vive a perda de valores. As virtudes são as metas perenes da sociedade. A educação para o homem ético é que seria o grande desafio. Educar implica necessariamente para quê".
P. Inácio, sacerdote jesuíta, fez um panorama geral sobre a experiência religiosa na América Latina e falou da complexidade, dos sonhos de igualdade, fraternidade e paz. "Vivemos num mundo que está em transição, um trânsito de um tipo de civilização para outra, para outra época. Estamos passando por uma mutação. E, nessa transição se coloca o desafio: o que é ser um educador católico?". Reforçou a ideia de que para ser um educador católico é importante entender o contexto, a maneira como nós nos relacionamos com os nossos alunos.
Abordando o futuro da educação católica, P. Bonifácio afirmou que está ocorrendo uma "mudança substancial no enfoque da Igreja. O Papa orienta a olhar a Igreja a partir da palavra de Deus, não apenas pelos mandamentos. Cada fiel deveria ter uma Bíblia, para que possa ter um entendimento da palavra de Deus".
Após o painel, professores e lideranças estudantis puderam apreciar a apresentação da Orquestra Sinfônica da PUCRS.
Painel "Educação Católica: Desafios e Perspectivas"
Na parte da tarde, os educadores puderam assistir ao painel com a temática "Educação Católica: Desafios e Perspectivas", proferido pelo P. Marcos Sandrini e a Profa. Selina Dal Moro. E, as lideranças estudantis participaram de Oficinas que abordaram o "Espaço de Protagonismo e Identidade do Jovem".
Professora Celina falou sobre a função do educador que atua na escola católica, lembrando que no passado a escola católica servia para preservar a identidade cultural trazida pelos imigrantes.
Dentro desta perspectiva, o trabalho do educador na escola católica passa por três eixos:
1) Não somos ilhas, formamos rede: perspectiva da escola católica é a do Reino de Deus entre a pessoas. Segundo a professora, "hoje o mundo necessita de um educador que conheça o jovem. Além do aprendizado do conhecimento é importante que o estudante faça uma partilha com os colegas e professores".
2) Práxis pedagógica: "é o fundamento para a formação de um professor atuante em nosso tempo".
3) Diálogo e tolerância ou é preciso aprender a viver junto e com o diferente: os princípios fundamentais da educação são o amor e o perdão. "Somos os mediadores da construção do humano na humanidade presente em cada um".
Finalizou a sua explanação dizendo: "mesmo que hoje sejamos um número muito pequeno perto do número de educadores de todo o Brasil, a escola católica, precursora da educação no país, poderá ser a luz na construção humana dos homens e mulheres do século XXI".
A última fala da produtiva jornada, foi a do P. Marcos Sandrini, que começou apresentando o número de escolas e de gaúchos estudando. "A escola católica existe como um grito contra o monopólio do Estado. E, ao mesmo tempo, é um grito contra a visão mercantilista da educação". P. Marcos define a escola católica como "uma instituição de educação; de inspiração cristã; de caráter católico e assumindo a índole de cada grupo que a mantém".
O palestrante apontou cinco grandes desafios para a escola católica. O primeiro deles é: reafirmar a preventividade que se manifesta na recusa da ideologia e do dom e da crença na resiliência. "Nosso futuro não é igual ao nosso presente, é maior e melhor". O segundo é ter uma visão complexa do mundo. Em seguida, abordou a necessidade de se zelar pela catolicidade da escola. "Uma escola católica não vai transformar todos em católicos, mas vai respeitar a todos. O grande papel do educador é ser o mediador cultural num mundo plural. A catolicidade é hospitalidade. Por isso, a função da escola católica é construir pontes entre o bom cristão e o honesto cidadão". Ainda, num mundo enleado com a crise ecológica e a crise social há necessidade de educar na esperança. Finalmente, a escola católica tem a missão de educar para e na responsabilidade.
O encontro encerrou com uma emocionante Celebração Eucarística presidida pela Arcebispo Dom Dadeus e concelebrada por Dom Remídio Bohn, Bispo Auxiliar e demais sacerdotes presentes no encontro.
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